Revolta nos fundos
Correio Braziliense/BR
Sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ANTONIO TEMÓTEO

Enviado Especial

São Paulo -- Diretores e conselheiros eleitos pelos participantes dos três maiores fundos de pensão do país divulgaram ontem, durante o 35º congresso do setor, um manifesto para externar preocupações relacionadas ao uso político das fundações. Os representantes dos funcionários do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa na gestão da Previ, da Petros e da Funcef, respectivas entidades de previdência complementar destas estatais, estão insatisfeitos com a gestão do patrimônio dos funcionários.

Os 13 signatários do documento temem que as intervenções do governo diminuam a rentabilidade dos fundos de pensão e que patrimônio dos trabalhadores não seja suficiente para pagar os benefícios esperados. Previ, Petros e Funcef têm R$ 309,7 bilhões em caixa, valor que corresponde a 44% do total de ativos do setor. No manifesto, os executivos definiram a criação de um fórum independente, que se reunirá pela primeira vez, em Brasília, nos dias 19 e 20 de janeiro de 2015.

Na ocasião, os gestores debaterão questões relacionadas à política de investimentos e a mecanismos para ampliar a divulgação de informações aos participantes. Além disso, eles discutirão a necessidade de que todas as diretorias colegiadas de estatais tenham metade dos representantes eleitos por quem contribui para formação do patrimônio. Em paralelo a reunião, os diretores e conselheiros querem um encontro com os dirigentes da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) para abrir um canal direto de diálogo.

Assinaram o manifesto, pela Funcef, os diretores Antonio Augusto de Miranda e Souza, Max Mauran Pantoja da Costa e Délvio Joaquim Lopes de Brito; pela Previ, os diretores Cecília Garcez e Décio Bottechia Júnior, além dos conselheiros Antonio José de Carvalho, Ari Zanella, José Bernardo de Medeiros Neto e Williams Francisco da Silva; e pela Petros, os conselheiros Epaminondas de Souza Mendes, Paulo Teixeira Brandão, Ronaldo Tedesco e Silvio Sinedino.

O repórter viajou a convite da Abrapp

Fonte: Correio Braziliense.